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Apimentados sabores

19th julho 2011   ·   0 Comments

Presente na cozinha de diversos países, as pimentas não se dão bem somente em pratos salgados, mas também esquentam doces e drinq

Foto: Tricia Vieira/Fotoarena

Na época das grandes navegações, as pimentas eram compradas a peso de ouro. Foi no século 17 que os exploradores portugueses levaram as ardidas para a Índia e o Sudeste Asiático, onde a adaptação foi ótima. Rotas comerciais que passavam pela Índia costumavam abastecer os navios com enormes quantidades de pimenta. Muito comum em toda América, elas já eram utilizadas pelos índios no México, no Brasil e em outros países da América do Sul. No Peru, há registros do uso de pimentas com mais de 2000 anos – a especiaria era muito comum na dieta alimentar de povos antigos, como os astecas. No Brasil entre as mais conhecidas estão a cumari, a pimenta-de-cheiro, a malagueta, a dedo-de-moça.

Hoje, o ingrediente é amplamente difundido pela cozinha de vários países. Pratos clássicos e típicos como o filé au poivre francês e as picantes delícias tailandesas são só alguns exemplos. Isso, claro, sem desmerecer as conservas de pimenta tão comuns aqui no Brasil, que acompanham o acarajé, a comida mineira, a moqueca e até mesmo a feijoada. Acredite se quiser, mas as pimentas aparecem até mesmo em drinques e sobremesas. Em conserva, como geleia, seca ou em pó, escolha a pimenta que mais lhe apetece e arrisque-se.

Pimenta de comer
Além dos clássicos apimentados como o caso do francês filé au poivre, a pimenta aparece em especialidades indianas, tailandesas e, claro, mexicanas. “No México, o mais comum é utilizarmos as pimentas secas”, explica o chef Hugo Delgado, do restaurante Obá, em São Paulo. “Lá há uma variedade maior, aqui no Brasil as pimentas são somente aromáticas ou muito potentes, é mais difícil achar um meio termo”, garante.

O chef Eduardo Sehn, do restaurante Koh Pee Pee, em Porto Alegre, costuma fazer viagens para a Tailândia em busca de ingredientes. “A pimenta está presente em quase todos os pratos tailandeses, mas há uma variedade muito maior de pimentas lá.” Na cozinha tailandesa, geralmente as pimentas são utilizadas frescas, muitas vezes maceradas junto com outros ingredientes em molhos espessos chamados de currys (não confunda com o tempero em pó indiano). De suas expedições pela gastronomia tailandesa, Eduardo chegou a trazer sementes para plantar no Brasil, mas como o clima gaúcho não é ameno, o cultivo é sazonal, somente no verão. No Koh Pee Pee, o cardápio traz uma legenda: os pratos são classificados entre nenhuma (sem picância) e três pimentinhas (bem picante). “Além disso, sempre deixamos sobre a mesa pimenta moída e pimenta dedo-de-moça fresca” explica Eduardo.

Pimenta doce
“No México, ainda quando crianças comemos doces, balas e frutas secas apimentadas, no lanche da escola”, conta Hugo Delgado. “Não é que nosso paladar fique viciado em pimenta, mas não estranhamos a mistura do doce com o picante.” Assim, acrescentando outro ingrediente tipicamente mexicano – o chocolate – ele prepara uma sobremesa chamada cascada de chocolate, uma espécie de petit gâteau com pimenta. “O chocolate do México é diferente, tem menos leite e açúcar, mas podemos adaptar a receita aos ingredientes brasileiros, usando chocolate amargo e meio amargo”, explica Hugo.

Pimenta de beber
Caipirinhas ganham um toque a mais quando os barmen acrescentam pimenta e outros drinques mais elaborados com as pimentinhas são cada vez mais comuns. É claro que sempre haverá o clássico Bloody Mary, mas o que está se tornando cada vez mais comuns são os adocicados e picantes. Marcelo Serrano, chef de bar do MyNY Bar, em São Paulo aconselha a acrescentar a pimenta aos pouquinhos “se passar do ponto e ficar muito ‘quente’ não tem jeito, tem que jogar no lixo”. Por lá são servidos drinques como o Eclipse, que combina conhaque, licor de pera e pimenta dedo de moça. Ou ainda o Jack Mango, com uísque, purê de manga e molho de pimenta. Vá colocando aos poucos e arrisque criar sua própria bebida.

Steak au poivre
Receita do restaurante La Casserole, em São Paulo, SP
Rendimento: 4 porções

Ingredientes
4 filés altos de filé-mignon (cerca de 200gcada)
600ml de caldo de carne
60g de manteiga
30g de pimenta preta (já moída)
8g de pimenta verde em conserva
8g de pimenta vermelha
15g de amido de milho ou fécula de batata
Sal a gosto

Modo de preparo
Em uma panela, em fogo baixo, aqueça o caldo de carne e adicione aos poucos o amido de milho, batendo sempre com um batedor para obter uma consistência homogênea. Deixe engrossar.

Tempere a carne com a pimenta preta e sal a gosto. Em uma frigideira de aproximadamente 40 centímetros de diâmetro, deixe a manteiga derreter e aquecer bem. Frite primeiro dois filés. Repita a mesma operação para os outros dois. Reserve a carne.

Despreze a manteiga em que foram fritos e usar a mesma frigideira para acrescentar o caldo de carne. Deixe engrossar mais um pouco e temperar com sal a gosto. Para finalizar, coloque os filés novamente no molho, incorpore a pimenta verde.

Sirva um filé por pessoa com molho, decorando em cada prato com um pouco de pimenta vermelha.

Serviço
Koh Pee Pee
Rua Schiller, 83, Rio Branco, Porto Alegre, RS, tel. (51) 3333-5150; www.kohpeepee.com

La Casserole
Largo Do Arouche, 346, República, São Paulo, SP, tel. (11) 3331-6283; www.lacasserole.com.br

MyNY Bar
Rua Pedroso Alvarenga, 1285, Itaim, São Paulo, SP, tel. (11) 3071-1166; www.mynybar.com.br

Obá
Rua Doutor Melo Alves, 205, Jardim Paulista, São Paulo, SP, tel. (11) 3086-4774; www.obarestaurante.com.br

 

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